Prazer, eu sou o Cliente.
“Eu odeio clientes. Se pudesse, mataria todos. Odeio quando eles metem o dedo na minha direção de arte. Eu fico puto quando cortam o texto do meu dupla. Fico mais revoltado ainda quando mandam o “layout” como eles querem por fax. Porra! Eu gasto toda minha grana em Archives. Estudo a fundo o advertainement, product placement, compro anuários do clube de criação, DVDs de Cannes entre outras fontes de referência que todo publicitário adora babar. Tudo pra um cara desses vir dizer que minha arte está reprovada? Há! Reprovado está a sobrinha dele que eu tive que escalar no casting. Enfim, odeio clientes. Eu sou Criativo. O nome já diz, cacete. Sou bacana. Antenado. Saco de tudo. Eu tenho visão de raios-X no produto. Eu sinto o produto, tenho feeling. Sei tudo o que há por trás da cor e das fontes daquela embalagem. Consigo ouvir o produto falando comigo, putz… E ainda vem um cara desses, que não entende nada do negócio dele, e me diz como fazer meu trabalho?”.
Você deve ter um amigo assim, não? Então é importante que ele reflita sobre outros ângulos dessa questão. Afinal, seu amigo que odeia clientes merece que você transmita essa crítica a ele. Vamos raciocinar sobre o tema “cliente” por um instante:
Se o cliente saca tanto assim, porque ele precisa de agência?
Diga ao seu amigo que, provavelmente, ele não precisou até aqui, mas continua querendo crescer.
Se quer tudo do jeito dele, porque ele não monta uma house ou vai a um bureau de serviços? Se seu amigo não mudar de comportamento, certamente ele o fará. Como ele consegue ganhar dinheiro sendo um “péssimo” cliente? Ele não ouve ninguém.
Acredite, ele deve ganhar bem mais que o seu amigo justamente porque entende muito do mercado dele.
Ele não sabe o que quer e quer dizer ao seu amigo como fazer o trabalho? Ele pode não saber dizer o que quer mas, com certeza, sabe o que não quer pra a empresa dele. Lembre-se: A empresa é dele.
Como ele ainda não foi engolido pela concorrência? A comunicação dele é muito tosca.
Alguns diferencias, que seu amigo tinha obrigação de conhecer e não conhece, devem existir.
É bem possível que esse seu amigo não esteja enxergando algumas dessas questões do alto do seu pedestal de criativo. Uma dica pra ele: Conheça seu cliente, seus produtos e necessidades. Saiba que nem sempre ele terá o perfil criativo que você gostaria. Mesmo porque se você conseguir aprovar uma campanha muito criativa que não funcione, será a última vez que fará isso para ele. Não desperdice o seu tempo. Ouça o homem. Não é só o cliente que precisa se educar para propaganda. Nós precisamos nos educar para o negócio de quem vende porcas, parafusos, chapas de alumínio entre outros produtos pouco inspiradores, caso contrário quem não tem idéia do que está fazendo somos nós, criativos.
fonte.: “ccrj”
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